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Chupar a Chupeta ou o Dedo: qual desses hábitos é o menos prejudicial para a saúde bucal da criança?

Via de regra, papais, vovós e todos aqueles que interagem com crianças pequenas em seu dia a dia conhecem as “propriedades terapêuticas” de uma chupeta. O bebê está inquieto? A chupeta é algo que o relaxa. Está irritadiço? A chupeta o tranquiliza – embora esta certamente não seja a única maneira de alcançar esses efeitos.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Odontopediatria*, a chupeta (oferecida à criança por intermédio dos pais) pode ser “um agente mascarador de outras necessidades dos bebês, como desconforto, susto, fome, cansaço, insegurança ou desejo de afeto” – sensações que eles também manifestam por meio do choro e para as quais um objeto cujo uso frequente é capaz de deformar a arcada dentária não deveria ser considerado uma “solução”.

dedo chupeta

Na verdade, o que realmente tem o “poder” de acalmar a criança não é nem a chupeta e nem o dedo, mas sim a sucção. Além disso, o bebê carece de sensações de prazer, satisfação, euforia, bem-estar e segurança, e todas essas necessidades (incluindo-se aí a sucção) podem ser proporcionadas, por exemplo, por meio da amamentação.

Para se ter uma ideia do quanto a sucção é uma condição fisiológica da criança, há bebês que sugam o polegar desde quando estavam no útero, conforme muitos médicos e mamães acabam visualizando por meio do ultrassom. No mais, sabe-se que eles conhecem/experimentam o mundo por meio da boca, levando todos os objetos nessa direção – e com a sua própria mãozinha não seria diferente.

 

Mas, se é uma necessidade natural, por que esses hábitos fazem mal? O que a sua prática pode, efetivamente, desencadear?

 

O que acontece é que tanto o hábito de chupar o dedo quanto o de chupar chupeta podem ocasionar o surgimento de futuras dificuldades no desenvolvimento da dentição infantil e da fala. Isto porque, durante a sucção, a língua tem a sua posição deslocada, mantendo-se abaixo da chupeta ou do dedo. Com a manutenção desse hábito ao longo do tempo, tal alteração na posição normal da língua (que é atrás dos incisivos centrais superiores, quando a boca está fechada) pode modificar a relação entre ossos e músculos. Como consequência, pode causar mordida cruzada, palato ogival (alto) e, em alguns casos mais severos, leva à deformidade facial. Por isso mesmo é que se recomenda o abandono do uso da chupeta e do dedo até os 3 anos de idade (época-limite). O ideal é que o hábito seja gradualmente removido até os 2 anos.

 

Então, tanto faz se a criança se utiliza da chupeta ou do dedo?

 

Na verdade, a sucção do dedo acaba sendo pior pelo fato de que ele está sempre disponível, diferentemente da chupeta, que nem sempre está ao alcance da criança. No caso dos bebês, por exemplo, é necessário que ela seja oferecida por intermédio do adulto, ao contrário do dedo, que pode ser levado à boca automaticamente. Como consequência, eliminar o hábito da criança que chupa o dedo costuma ser um pouco mais trabalhoso.

 

O que os pais podem fazer para evitar que a criança adquira tais hábitos?

 


Uma ação que contribui para minimizar a necessidade da sucção é, até os seus 6 meses de idade, amamentar o bebê exclusivamente com o leite materno
. Porém, é preciso que ele faça algum esforço para realizar essa sucção, de maneira que, se a mãe tiver muito leite, é aconselhável extrair um pouco, antes leite maternoda amamentação. Desta forma, tanto a fome quanto a necessidade de sucção serão saciadas, sendo pouco provável que o bebê sinta falta de alguma sucção complementar.

Além disso, a Sociedade Brasileira de Odontopediatria* recomenda que, a partir de 2 a 3 meses da idade, os bebês disponham de mordedores planos e brinquedos variados, limpos e seguros que possam ser levados à boca, sendo esta uma alternativa para distraí-los e evitar a procura pela sucção do dedo ou chupeta.

 

E o que fazer quando o hábito já foi adquirido?

 

Papais, mamães, vovós e demais cuidadores das crianças: esqueçam todas aquelas ideias que incluem “passar um pouquinho de pimenta” na chupeta ou no dedo da criança, dizer que ela “fica feia” com a chupeta na boca, dar apelidos depreciativos a esse objeto (ou à própria criança, ao vê-la com o dedo na boca) e/ou simplesmente jogar a chupeta no lixo, sem “aviso prévio”!

Em vez de ser criticada quando está com a chupeta ou o dedo na boca, é preciso elogiar a criança quando esse hábito não está sendo praticado (reforço positivo), além de lhe oferecer outras distrações para a ocupação das mãos. A chupeta, por exemplo, não deve ficar presa à sua roupinha, e o seu uso pode ser restringido para alguns horários (como antes de dormir), entre outras negociações que exigirão a persistência e a sensibilidade dos pais. (Muitas vezes, um bom resultado é negociar a troca da chupeta com o Papai Noel, o Mickey ou o coelho da Páscoa por algo que a criança queira, mas é ela quem tem de dar a chupeta e fazer a substituição, não o adulto.)

Aos pais, principalmente, lembrem-se de que, mesmo com a resistência das crianças, é de sua responsabilidade provê-las com os cuidados de que precisam para o seu perfeito desenvolvimento, e combater o uso da chupeta e/ou do dedo faz parte desse inigualável processo.

 

*Disponível em http://www.abodontopediatria.org.br/USO_DE_CHUPETA.pdf
Acesso em 5 jan. 2014. 

Comentários (1)

  1. Luposeli Odontologia - 09 Jan, 2015

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